Dependentes químicos ganham apoio dos irmãos mais novos...

Problemas com drogas afetam menos os irmãos, que estão menos envolvidos e conseguem ver a situação de maneira mais clara.

Uma pergunta para você que assiste novela: quem não se emocionou, esta semana, com a luta de Sinval para tirar o irmão Danilo do vício das drogas?

Nós encontramos, na vida real, histórias iguais, e tão comoventes, como a que vivem os personagens interpretados por Cauã Reymond e Kayky Brito em Passione.

Em uma clínica de reabilitação na cidade de Atibaia, interior de São Paulo. Cleber, dependente químico há sete anos, chega para ser internado. Mas o personagem principal dessa história é outro: o irmão dele, Claudemir.

“É duro ver o irmão em uma situação dessas, ainda mais sangue do nosso sangue, carne da nossa carne, entendeu?”, comenta o auxiliar administrativo José Claudemir Rocha.

Na novela “Passione”, Sinval também não aguentou ver o irmão Danilo se afundar nas drogas. Assim como Sinval, Claudemir resolveu dar um basta: decidiu internar o irmão.
“Meu papel foi mais importante que o do meus pais. Eu falei que tinha que tomar essa iniciativa”, compara Claudemir.

Ao tomar a iniciativa, Claudemir viu cenas que prefere esquecer: “O duro é quando alguém bate na sua porta e fala que seu irmão está caído. Você vai em uma praça, em uma rua buscar o seu irmão. Isso é muito doloroso”.

Essa relação de irmãos e drogas fica um pouco mais complicada quando um sempre foi o ídolo do outro, como é o caso do Sinval e do Danilo na novela “Passione”.

“Danilo sempre foi o fiel escudeiro do Sinval, o anjo da guarda, o herói. O Sinval quer voltar a fazer dele um grande campeão”, comenta o ator.

“O Danilo está rumo ao fundo do poço. Já foi internado, já perdeu a possibilidade de seguir a carreira como ciclista devido ao doping e está em um momento muito perigoso que é aquele momento que a família começa a entender o que está acontecendo”, diz o ator Cauã Reymond.

“A doença da dependência química acaba afetando a família como um todo também e infelizmente a família não percebe, acha que está controlando, acha que está tudo bem, acha que consegue reverter. Quem que é o filho mais novo que vai dizer para eles o que eles têm que fazer?”, questiona o empresário Diego Martins.

Diego também foi o primeiro a enxergar que o irmão mais velho estava com problemas.
“Nas primeiras vezes que ele tentou conversar comigo, eu resistia. Eu sempre resisti, na verdade. Estou me conhecendo agora”, admite o paciente Rodrigo Lopes.

Diego tem um serviço de resgate de dependentes e tomou a decisão de internar Rodrigo, que já está em tratamento há três meses.

“No momento que eu tomei a decisão e, como responsável pela equipe de remoção, eu tive que acionar a equipe para fazer o transporte. Eu particularmente não tive coragem de ir, porque não era mais um paciente só. Era o meu irmão”, lembra Diego Lopes.

“A dependência química é uma doença que não é contagiosa, mas é contagiante. As pessoas que estão próximas também tendem a se descontrolar. Muitas vezes o irmão é aquele que está menos envolvido diretamente, então, consegue enxergar a situação de maneira bastante serena”, afirma o psiquiatra Jorge Jaber.

Um homem de 44 anos, que preferiu não se identificar, frequenta um grupo de apoio aos parentes de dependentes químicos no Rio de Janeiro. Há cinco meses, ele encontrou o irmão, dois anos mais velho e pai de dois filhos, no fundo do poço.

“A esposa dele me ligou em um sábado querendo saber o paradeiro dele, porque ele não havia passado a noite em casa. Começamos a procurá-lo e justamente o encontramos em uma favela. Hoje eu tenho certeza de que essa missão era pra mim, entendeu?”

Tem um efeito colateral para o personagem, sobretudo para o Sinval, que parece bom. Ele amadurece muito rápido.

“Sem querer querendo ele acaba amadurecendo por tomar conta do irmão, e a gente persiste. Mostra pra ele que não é por ai”, concorda o ator Kayky Britto.

Renan, de 21 anos, também teve que amadurecer quando o irmão mais velho se envolveu com drogas e virou o centro das atenções da família.

“O foco da família era sempre o meu irmão. Parecia para mim que eu não era da família ou estava avulso ali na casa”, lembra o estudante Renan Marchiori de Souza.

O irmão está limpo há pouco mais de um ano e, agora, é Renan quem serve de espelho.
“O período que ele usou as drogas, ele deu uma afastada da vida e eu acabei seguindo. Acho que hoje em dia eu sou um espelho para ele porque ele vê que eu estou trabalhando, estudando, me dedicando, e quer isso também”.

“Se Deus quiser, tomara que o Danilo melhore e com a ajuda do irmão e da família. Faça com que ele se torne uma melhor pessoa depois desse processo”, torce o ator Cauã Reymond.

Essa também é a esperança de Claudemir.

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