Silvio de Abreu conta como foi escrever as dramáticas cenas da volta de Danilo em Passione. Com o auxílio de pesquisa, o novelista mergulhou no mundo dos viciados em crack para criar cenas próximas da realidade.

Qual a sua avaliação sobre as cenas da volta do Danilo?
Acho que as cenas não poderiam estar mais próximas à realidade. O Danilo está sujo, largado, completamente entregue às drogas. A caracterização do Cauã foi perfeita. O Profissão Repórter mostrou de uma maneira muito sensível como é o mundo na Cracolândia, como vivem aquelas pessoas que não conseguem se libertar do vício, que passam meses lá sem voltar para casa e são procuradas por familiares e amigos. Dá pra ver perfeitamente o Danilo ali. As cenas estão muito reais, muito perto daquilo tudo. O telespectador vai ter uma noção bastante aproximada do que o crack é capaz de fazer com uma pessoa.
Você recebeu algum direcionamento, ajuda de um profissional, para escrever este tipo de cena?
Fiz pesquisa. Para escrever cenas de um tema tão real como as drogas, não dá para tirar tudo da própria cabeça. Tinha e continuo tendo uma preocupação muito grande em tratar desse assunto de uma maneira muito real, muito humanizada. O Danilo está entregue às drogas mesmo, a família dele está sofrendo mesmo. Eu queria que as cenas se aproximassem de quem sofre direta e indiretamente com o vício.
Você achou a cena do Danilo pesada?
O que é pesado é o tema. O mundo das drogas não é algo que se aborde de maneira fácil. Se estamos tratando de drogas na novela, temos que tentar aproximar o telespectador desse mundo para que ele se convença de que aquele personagem realmente está passando por tudo aquilo. Apesar de ser uma ficção, há muitas coisas em uma novela que fazem parte da vida do telespectador e a droga é uma delas. Não dá para querer "maquiar" um vício que destrói com a vida de muita gente.
Você acredita que abordando este problema, consegue dar um cunho social a trama?
Claro que sim. Quantas pessoas não passam pelo mesmo, não se entregam ao crack, não somem de casa, não recebem apoio da família e se internam para recuperar-se? Quantas pessoas não estão envolvidas nisso direta e indiretamente? Quantos telespectadores não vão se identificar com o problema do Danilo de alguma maneira? O que pretendemos passar é que a recuperação é lenta e dolorosa, mas que é possível, com o apoio da família e de amigos.
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Felippe Braga
